quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

SUSTENTABILIDADE E COMUNICAÇÃO

http://jornaldedebates.uol.com.br/debate/lula-visita-bush-jogo-dos-americanos-interessa/artigo/george-bush-em-visita-ao-brasil


Nós profissionais de comunicação desenvolvemos, como característica muito comum, uma alta velocidade para absorver conceitos. Qualquer que seja a bola da vez, em dois minutos a incorporamos ao vocabulário, enquanto assimilamos um rápido esboço de seu significado. O estágio mais avançado desse fenômeno se revela quando começamos a opinar sobre livros que não lemos, filmes que não assistimos, pessoas que não conhecemos. Livros, por exemplo: você leu A Insustentável Leveza do Ser, do Milan Kundera? Não? OK, não é grave. E o relatório recém-divulgado sobre A Insustentável Pobreza de um Planeta Beirando o Não-Ser, você leu? Se não ainda, aí é grave.
No momento histórico que estamos vivendo, absorver sustentabilidade apenas como um conceito é algo totalmente insustentável. Por isso, gostaria de pedir que, enquanto seus olhos estiverem passeando por estas palavras, não pense: sinta.
Sustentabilidade, clamor que veio para ficar, não é um conceito: é um sentimento e seus efeitos. Quando começamos a sentir que a vida (não apenas a sua, mas a de tudo e todos) vale a pena e que a hora de cuidar é agora, começa a brotar em nós (isso mesmo, b-r-o-t-a-r) a verdadeira sustentabilidade.
Mário Quintana expressa num de seus poemas que, comparadas aos sentimentos, as palavras são como borboletas mortas espetadas no papel. Sugiro, portanto, que você não se detenha aqui nessa palavra e que, ao invés disso, permita que ela penetre por seus poros e narinas, mobilizando suas mais férteis energias.
Comunicar um mundo sustentável, mesmo que seja o mundo intramuros de uma empresa, requer que você, a empresa em questão e sua marca aprendam a expandir, simultaneamente, pulmões, visão e consciência.
Funciona mais ou menos assim: conhecendo o cenário, podemos senti-lo. O sentimento desperta em nós o desejo de cuidar. À medida que cuidamos, ficamos mais conscientes. E aí vem a primeira constatação: a de que não estamos preparados para viver de forma sustentável e menos ainda para comunicar sustentabilidade.
Não vou passar nenhuma lista do que fazer (para isso, acesse www.mercadoetico.com.br), mas posso compartilhar duas experiências fundamentais. A primeira é que a construção de um mundo sustentável - começando pelo nosso próprio mundo pessoal - passa pela desconstrução de nossas crenças e hábitos, sobre os quais jamais refletimos, porque acreditávamos, pobres crianças tolas, que só o dinheiro não caía do céu, quando na verdade tudo sai da Terra, até mesmo a qualidade do ar que respiramos.
Outra coisa que venho aprendendo é que viver de forma sustentável implica em redescobrir a simplicidade, a humildade, a moderação, o querer-bem (a nós mesmos e a tudo que habita conosco este pequeno globo ora ardendo em febre; acabamos de registrar o janeiro mais quente de toda a História).
Pessoas, marcas, empresas, nações passarão primeiro pela redescoberta do Outro para em seguida perceber que até mesmo esse outro é ilusório, pois que tudo e todos se mesclam numa só pulsação.
Neste momento isso parece improvável e longínquo, mas com a mesma velocidade com que absorvemos conceitos, acredite, vamos nos reinventar, recriar as empresas, as marcas, o planeta e a comunicação - que passa a ter um papel cada vez mais crucial e urgente, dada a velocidade geométrica com que irrompem por todos os lados as feridas planetárias que nós mesmos, ao longo do tempo, fomos abrindo, e que agora precisamos fechar.
A grande maravilha do ser humano é que só ele é capaz de juntar, num átimo, três forças com infinita capacidade transformadora: a consciência, o afeto e a imaginação.
Premidos pelo instinto de sobrevivência, libertos do besteirol medíocre e anestesiante que assola a mídia e a humanidade (sim, nessa ordem), conscientes, despertos e ávidos não de coisas, mas de vida, abriremos as comportas de nosso imaginário. Dissolveremos o egoísmo e descortinaremos todo o afeto - berço da ética - virando de ponta-cabeça o modelo de comportamento vigente.
Por falar em ponta-cabeça, compreenda que a comunicação da sustentabilidade não começa com técnicas de comunicação, mas com práticas de sustentabilidade.
É bom a gente treinar rapidinho.

Pessoal quem quizer mais material neste tema ler:  

http://www.cebds.org.br/cebds/MANUAL_DE_SUSTENTABILIDADE.pdf

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