possíveis. São Paulo: Artcolor, 2007. 184 p.
https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/CSO/article/view/769/780
Organizado por José Carlos Marques, o livro é constituído de catorze artigos distribuídos em quatro partes, cada uma delas sob a responsabilidade de pesquisadores vinculados à seção de “Comunicação e esporte”, do Núcleo de Pesquisa de Comunicação Científica da Intercom, com o objetivo de traduzir resultados de suas pesquisas e experiências profissionais fundamentadas em abordagens pertinentes à temática. A proposta é permitir ao leitor compreender como o esporte é retratado e reconstruído pelos meios de comunicação, propiciando a percepção e as características de um diálogo possível entre o jornalismo, a publicidade, a antropologia, a sociologia, a lingüística, a educação física e outras disciplinas que têm emprestado seus conceitos e fundamentos teóricos para que sejam assimiladas com rigor as imbricações que o esporte mantém com a sociedade do século XXI. Na primeira parte, “Ethos da bola e do corpo: alguns olhares antro-pológicos sobre o futebol”, reúnem-se, em quatro artigos, conceitos das Ciências Sociais para oferecer análises distintas sobre diversos aspectos envolvidos na prática do futebol no Brasil. Nessa etapa, argumentos demonstrativos foram aduzidos para verificar as conseqüências do momento em que a televisão
passou a fazer parte do mundo do futebol. A partir da transmissão dos jogos, o comportamento dos jogadores e demais atores envolvidos sofreu uma substancia modificação e até mesmo uma construção simbólica futebolística pelos jornais impressos, além de as identidades culturais nacionais estarem sendo afetadas ou deslocadas pelo processo de globalização. Estimula-se também uma reflexão crítica sobre a discussão na mídia, com maior freqüência, de temas relativos ao corpo e à preparação dos jogadores, para lá da apresentação pura e simples dos jogos, das jogadas e das táticas do futebol. Destaca-se nos textos que a percepção de jogo foi deslocada para segundo plano, enquanto se valoriza o corpo como centro das atenções. Na segunda parte, “Esporte também é negócio: os ganhos e perdas do mercado”, a ênfase é posta na produção e comercialização dos produtos inseridos no mercado pelos clubes de futebol, analisando-se os seus fundamentos e as transformações dos clubes em empresas, o que revela a ampliação dos processos
de disciplinarização e normatização do futebol como esporte e como negócio. Propõe-se, no decorrer dos textos, uma breve análise da cobertura econômica, na mídia impressa, dos Jogos Pan-Americanos realizados em 2007 no Rio de Janeiro. O último artigo que compõe essa parte reproduz fragmentos da entrevista de Carlos Nuzman, na qual o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro afirma que a maior carência do esporte no Brasil é a falta de conhecimento mais abrangente. Ele não identifica na formação em educação física o fator-chave para a capacitação dos dirigentes esportivos. “Aquele que postula um cargo de dirigente esportivo necessita completar seus conhecimentos profissionais com os de administração, economia, administração esportiva, gestão de empreendimentos, de investimentos no esporte, realização de projetos e eventos esportivos e gerenciamento de marcas através do esporte”. “Iconograma da riqueza: quando uma imagem vale mais que mil palavras”, tema da terceira parte da obra, apresenta pontos de vistas relativos ao debate e às leituras que valorizam o aspecto funcional e espetacular das práticas esportivas. Houve um destaque na abordagem das diferentes percepções de representação visual da cobertura fotojornalística esportiva pela mídia, especificamente a impressa, em que a necessidade de persuadir é intrínseca ao discurso. Os autores salientam, simultaneamente, os fatores que tornam necessário explorar o glamour imagético concedido aos jogadores e aos torneios profissionais, seja para compor o quadro de alegria pela vitória ou até mesmo de tristeza por uma derrota. A quarta e última parte do livro, “Teias de tecido: os meios
de comunicação de massa e as formas de reconstruir o esporte”, discute alternativas e sugestões em relação ao trabalho da imprensa e à receptividade do público diante de questões polêmicas, como os cuidados a serem levados em conta nos relatos de casos de dopping, já que a interpretação do público se baseia no que escreve o jornalista, que deve equilibrar todos os lados da notícia, sem prejuízo para nenhuma das partes. A idéia que se pretende difundir é que se continue na luta contra o dopping, desde que a carreira ou a vida de um atleta seja preservada, seja ele culpado ou não. Caso contrário, muitos atletas inocentes poderão ser taxados publicamente como drogados, prejudicando-se suas carreiras e suas imagens pelo resto da vida. Debate-se também, a interatividade esportiva específica da internet, sua potencialidade como recurso de expressão comunicativa e o panorama geral de como as tecnologias digitais multimidiáticas estão sendo utilizadas como ferramentas para promover o desenvolvimento e as implicações inerentes às novas formas de circulação de informações esportivas. Apesar das vantagens trazidas pelos meios tecnológicos, principalmente a internet, auxiliadora do processo de mediação das informações veiculadas na rede sobre o esporte, os autores não deixaram de avaliar as dificuldades e os desafios encontrados pelos produtores de notícias na rede, uma vez que se busca a fidelidade do usuário, que, “bombardeado diariamente por uma
quantidade de informações, (...) não se sente fiel a qualquer veículo digital, nem mesmo ao portal do provedor de acesso que ele assina”. Os estudos sinalizam a importância de se conhecerem e dominarem as linguagens de cada um desses recursos tecnológico, a fim de que eles possam intervir como produtores de
mensagens utilizando esses recursos, de forma a favorecer a aprendizagem por meio de sua atuação. O artigo que encerra a obra refere-se ao recurso ativo dos meios de comunicação na construção e representação da realidade imagética da mulher no esporte, enfatizando as práticas sociais conquistas por elas. O livro propicia uma leitura que não se limita apenas aos conhecedores prévios da temática, preocupando-se com que as questões explanadas pelos autores sejam entendidas por todos. Em função disso, termos que pudessem gerar dúvidas entre os leitores são descritos e complementados por exemplificação que permite a compreensão e análise das abordagens propostas. Os textos são objetivos e simples, destinando-se não apenas a pesquisadores e estudantes da área, mas representando também uma
grande contribuição para os que desenvolvem trabalhos no âmbito esportivo sejam eles amadores ou profissionais, propiciando um amplo amadurecimento e o enriquecimento do diálogo possível entre a comunicação e o esporte, na perspectiva de inserção do leitor da sociedade atual no contexto em que as diversas mídias eletrônicas estão presentes. Neste sentido, essa obra terá um papel de destaque, ao abordar de forma sistematizada investigações, análises e conclusões sobre essa temática.
Thailissa Letícia Andara Ramos
Mestranda em Comunicação Social na Universidade
Metodista de São Paulo, é professora do
Curso de Serviço Social da Emescam -
Escola Superior de Ciências da Santa Casa de
Misericórdia de Vitória (ES).
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